“Como a chuva pode indicar a qualidade do ar por localização e tempo?”
Esta é a questão que fez com que a estudante de design têxtil da Central Saint Martin do College of Art and Design de Londres, Dahea Don, desenvolvesse uma série de corantes para o seu projeto ” Palette Rain”.
O seu projeto consiste em medir, através de corantes aplicados em tecidos, o índice de acidez e contaminação da água pela poluição atmosférica.
Para desenvolver o projeto, a estudante utilizou pigmentos naturais extraídos de legumes e frutas, que são solúveis em água, como base e matéria-prima para a sua paleta. Couve roxa, amora e berinjela são alguns dos vegetais utilizados pela estudante.
O seu interesse pelo projeto surgiu depois de passar pela Coréia do Sul dias após o terremoto e tsunami ocorridos no Japão. Em um dia chuvoso, percebeu o temor da população com a possível contaminação do ar pela radiação que havia sido liberada pela Usina de Fukoshima e, à partir deste fato, teve a ideia de como medir o impacto ambiental causado pela poluição atmosférica na água da chuva.
“Minha intenção é desenvolver uma abordagem fácil e poética para mostrar visualmente a condição do ar através das águas pluviais”, disse Sun.
Seu objetivo, ao desenvolver este projeto, foi apresentar de forma simples, rápida e eficiente o nível de pH da chuva em diferentes lugares e momentos e dar as pessoas, num piscar de olhos, uma indicação real da qualidade do ar.
A couve roxa, utilizada no processo, foi escolhida por conter substâncias químicas da família da antocianina - ácido base que indica o pH – e também, assim como outros vegetais, soltar a cor naturalmente.
Dependendo do nível de acidez contida na água que será testada, o corante natural, mudará de cor automaticamente ao reagir com os níveis de pH.
” Estou desenvolvendo uma forma de intensificar a beleza da cor dos pigmentos durante a sua mudança de tonalidade para que as pessoas possam se conscientizar e para que também valorizem os novos materiais que estão sendo desenvolvidos combinados com a ciência e a natureza”, complementa a estudante.
Como todos nós sabemos, a chuva é um processo natural atmosférico, mas, quando poluentes como o dióxido de enxofre – gás incolor, solúvel na água, denso, tóxico, que tem como fonte o setor industrial e a queima de combustíveis – e o óxido de nitrogênio – composto químico gasoso formado pela combinação de oxigênio com nitrogênio, tem como fonte fornos, caldeiras, industria química e até mesmo silos de cereais- se misturam com o vapor de água no ar, são convertidos em ácidos sulfúrico e nítrico e, é esta combinação de elementos tóxicos que faz com que a chuva se torne ácida e com diferentes níveis de pH.
Esta estudante com mente brilhante merece um prêmio, pois se os métodos utilizados no seu projeto forem comprovados como 100% eficientes, poderá ser utilizado em qualquer lugar do planeta para educar e conscientizar toda a população. Simples e divertido, poderá ser levado para as escolas em todos os níveis de aprendizado e, quem sabe, começar a despertar a conscientização ambiental das crianças que são o futuro do nosso planeta.